Revista Brasileira de Avaliação
https://app.periodikos.com.br/journal/rbaval/article/doi/10.4322/rbaval202412012
Revista Brasileira de Avaliação
Entrevista

Conversa com o xamã Davi Kopenawa

A conversation with shaman Davi Kopenawa

Manuela Otero Sturlini, Martina Rillo Otero

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Resumo

A entrevista com uma liderança indígena, Davi Kopenawa, para esta edição da Revista buscou trazer para o debate uma perspectiva diferente da tradicional de avaliação e produção de conhecimento. Em especial, queríamos aprender com Davi a partir da experiência de diagnóstico e denúncia sobre a invasão garimpeira entre os anos de 2020 e 2022 à Terra Indígena Yanomami, nos quais seus povos e as associações indígenas tiveram um papel essencial na identificação da crise que ocorre no local, especialmente nos anos de pandemia. Na conversa sobre esse e outros assuntos, Davi conta como acontece o que poderíamos chamar de um “monitoramento do território” que se dá não a partir de questionários estruturados, tiques a respostas padronizadas, tabulação; mas a partir da observação da própria saúde dos membros dos grupos que habitam esse território. A saúde do ecossistema é uma só, e a agressão a uma parte, ressoa em todas as demais. Portanto, a observação da saúde das pessoas indica a agressão à terra, aos rios, aos animais, a algo único e integrado que não sabemos nomear porque nossa linguagem separa. Nessa linha, Davi também nos explica sobre a “Vingança Climática”, referindo-se à resposta da Terra às agressões contra ela, e nos faz enxergar a natureza, que já não tem tempo, nem espaço, ou tolerância com essas agressões. O futuro nasce hoje. Escutando Davi, aprendemos e sentimos juntar partes (depois de termos aprendido a separá-las): Homem e Terra, agressão e resposta, pensar e fazer, escutar e entender, sonhar e construir a realidade.

Palavras-chave

Povos indígenas. Paradigmas de avaliação. Descolonização da avaliação. Conhecimento tradicional. Pensamento sistêmico.

Abstract

This interview with an indigenous leader, Davi Kopenawa, for the present edition of the review sought to bring into the debate a different perspective from the traditional assessment and production of knowledge. Mainly, it was aimed to learn from Davi’s experience of diagnosis and denunciation about the invasion of the Yanomami Indigenous Land between 2020 and 2022, in which their peoples and indigenous associations played an essential role in identifying the crisis that occurs on site, especially in the years of pandemic. In the conversation about this and other subjects, Davi tells how it happens which was possible to call a “monitoring of the territory” that is not based on structured questionnaires, tics or standardized answers, tabulation; but from the observation of the health of the members of the groups that inhabit this territory. The health of the ecosystem is one, and aggression to one part, resonates in all others. Therefore, the observation of people’s health indicates aggression towards the land, rivers, and animals, something unique and integrated that we do not know how to name because our language separates. In this line, David also explains about “Climate Revenge”, referring to the response of the Earth to aggression against it, and makes us see nature, which no longer has time, nor space, or tolerance with these aggressions. The future is born today. Listening to David, we learn and feel to put parts together (after having learned to separate them): Man and Earth, aggression and response, thinking and doing, hearing and understanding, dreaming and building reality.

Keywords

Indigenous peoples. Evaluation paradigms. Decolonization of evaluation. Traditional knowledge. Systemic thinking.

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Submetido em:
31/05/2024

Aceito em:
06/06/2024

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