Outcome harvesting sob perspectiva decolonial e afroreferenciada: Contribuições para processos participativos de monitoramento e avaliação
Outcome harvesting through a decolonial and afro-referenced lens: Contributions to participatory monitoring and evaluation
Ulisses Silva do Nascimento
Resumo
Este ensaio discute como a colonialidade estrutura o campo de monitoramento e avaliação (M&A) e propõe a construção de uma abordagem decolonial a partir da adaptação crítica do método Outcome Harvesting (Colheita de Mudanças). Argumenta-se que métodos avaliativos não são neutros: refletem muitas vezes racionalidades e hierarquias originadas no Norte Global, reforçando desigualdades epistêmicas. Ao deslocar o foco para mudanças de comportamento identificadas e nomeadas pelos próprios atores sociais, o Outcome Harvesting abre espaço para narrativas e saberes marginalizados, permitindo que parâmetros de sucesso venham a emergir das comunidades, e não de estruturas hegemônicas. O texto apresenta as etapas do método, uma releitura decolonial e os desafios ético-políticos de operacionalizar avaliações centradas em vozes locais, sobretudo diante de tensões com financiadores e assimetrias de poder. Conclui-se que a decolonização do M&A exige práticas intencionais de redistribuição narrativa, escuta ativa e questionamento das estruturas que historicamente legitimaram apenas alguns modos de saber.
Palavras-chave
Abstract
This essay discusses how coloniality structures the field of monitoring and evaluation (M&E) and proposes the development of a decolonial approach through the critical adaptation of the Outcome Harvesting method. It argues that evaluative methods are not neutral; they often reflect rationalities and hierarchies rooted in the Global North, thereby reinforcing epistemic inequalities. By shifting the focus toward behavior changes identified and named by social actors themselves, Outcome Harvesting creates space for marginalized narratives and knowledges, allowing success parameters to emerge from within communities rather than from hegemonic structures. The paper presents the steps of the method, offers a decolonial reinterpretation of its application, and examines the ethicalpolitical challenges of operationalizing evaluations centered on local voices, particularly in contexts marked by tensions with funders and power asymmetries. It concludes that the decolonization of M&E requires intentional practices of narrative redistribution, attentive listening, and critical questioning of the structures that have historically legitimized only certain ways of knowing.
Keywords
Referências
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Submetido em:
08/02/2026
Aceito em:
14/04/2026
