Revista Brasileira de Avaliação
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Relato de experiência

Avaliação decolonial na Clínica Afrodiaspórica: Um relato de experiência formativa

Decolonial evaluation in Afro-Diasporic Clínica practice: A formative experience report

Kizye Lins dos Santos Dutra

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Resumo

Este artigo apresenta um relato de experiência desenvolvido no âmbito de uma formação em Clínica Decolonial Afrodiaspórica, realizada em formato on-line ao longo de 12 módulos em 2025, com foco na construção de processos avaliativos orientados por epistemologias decoloniais. O problema central reside na persistência de práticas avaliativas baseadas em métricas universalizantes, instrumentos padronizados, testes normatizados e protocolos clínicos eurocêntricos que tendem a reproduzir desigualdades raciais e a desconsiderar contextos históricos, culturais e territoriais. Sustenta-se que a avaliação pode ser ressignificada como vivência ética e relacional, orientada pela escuta, pela ancestralidade e pela coletividade. A experiência envolveu aproximadamente 40 profissionais do campo da saúde, da educação e do cuidado, majoritariamente pessoas negras, ao longo de um percurso formativo estruturado em rodas de partilha. Foram construídas e aplicadas quatro ferramentas avaliativas qualitativas e simbólicas: o Mapa Simbólico Amefricano, a Ficha de Escuta Decolonial, a Roda de Axé Clínico e a Linha de Resistência Psíquica. Conclui-se que a avaliação decolonial pode contribuir para práticas comprometidas com equidade racial e justiça cognitiva, e que suas ferramentas são adaptáveis a outros contextos culturais marcados pela colonialidade do saber.

Palavras-chave

Avaliação decolonial. Relato de experiência. Equidade racial. Epistemologias do Sul. Clínica afrodiaspórica.

Abstract

This article presents an account of an experience developed within a training program in Afro-Diasporic Decolonial Clinical Practice, conducted online over 12 modules in 2025, focusing on the construction of evaluative processes guided by decolonial epistemologies. The central problem lies in the persistence of evaluation practices based on universalizing metrics — standardized tests, normed instruments, and Eurocentric clinical protocols — which tend to reproduce racial inequalities and disregard historical, cultural, and territorial contexts. It is argued that evaluation can be re-signified as an ethical and relational experience, guided by listening, ancestry, and collectivity. The experience involved approximately 40 professionals from the fields of health, education, and care, mostly Black people, throughout a training path structured in sharing circles. Four qualitative and symbolic evaluative tools were constructed and applied: the Afro-Brazilian Symbolic Map, the Decolonial Listening Form, the Clinical Axé Circle, and the Line of Psychic Resistance. It is concluded that decolonial evaluation can contribute to practices committed to racial equity and cognitive justice.

Keywords

Decolonial evaluation. Experience report. Racial equity. Epistemologies of the South. Afrodiasporic clinical practice.

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