Ciência & Fé
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Domingo, 27 de julho de 2025

Cristão e política podem interagir?

 

 

Um Chamado Bíblico à Sabedoria e à Ação

 

Por pastora Priscila Fagundes

 

Introdução: O Conhecimento que Liberta

 

“Sem um conhecimento profundo da Palavra, o cristão se torna presa fácil: será manipulado por ideologias vazias ou viverá como um religioso sem discernimento. A ignorância bíblica enfraquece a fé e empobrece a missão.”

— Priscila Fagundes

 

Sempre digo aos meus alunos que conhecimento é poder. A forma mais rápida e eficaz de escravizar uma pessoa, ou um povo inteiro, é negar-lhe o acesso ao conhecimento, destruir suas referências e impedir que a verdade seja ensinada, lembram do estudo de Eclesiastes 10, o sábio e o tolo? Então, essa é a parte 2 do nosso estudo, e a conclusão de uma análise bíblica detalhada que derruba a ideologia que o cristão não pode se envolver com política, vista que é incoerente com o que a Bíblia afirma a respeito dos líderes de Israel, sejam líderes jurídicos, monárquicos, políticos ou civis, além dos líderes religiosos que exerciam autoridades maiores, pois estes detinham a autoridade de Deus para estabelecer seus ministérios.

 

Meu desejo é que você pegue a Bíblia, e faça comigo este estudo com ela aberta, para que você consiga não apenas navegar em suas páginas, mas ser visitado pelo Escritor, e tenha seu entendimento aberto para o tema proposto!

 

INTRODUÇÃO: O CRISTÃO, A POLÍTICA E OS DOIS REINOS

 

 “O cristão que ignora as leis que o cercam — naturais ou espirituais — se torna vulnerável, manipulável e raso. Conhecimento bíblico é escudo e espada diante de qualquer sistema.”

— Priscila Fagundes

 

Vivemos inseridos em dois reinos: o natural e o espiritual. E em ambos, há leis, estruturas de governo e autoridades constituídas. O cristão precisa discernir isso claramente para não viver à mercê de ideologias humanas ou de ignorância espiritual.

 

A Bíblia não é apenas um manual de salvação — ela é também um livro de governo, autoridade, legislação e domínio. Ela apresenta leis civis, rituais, morais, monárquicas e espirituais. Desde Gênesis até Apocalipse, vemos Deus estabelecendo ordens, príncipes, reis, juízes e profetas que atuavam em ambientes políticos e espirituais ao mesmo tempo.

 

📜 Moisés foi príncipe no Egito e depois líder político e espiritual de Israel.

🏛️ José se tornou governador no Egito, exercendo justiça com sabedoria divina.

👑 Daniel foi estadista na Babilônia, fiel a Deus e influente no palácio real.

📚 Esdras era escriba e conselheiro no palácio do rei.

⚖️ Débora foi juíza em Israel, liderando com coragem e discernimento.

⚔️ Baraque foi comandante de exército, obedecendo à direção profética.

E tantos outros: Neemias, Ester, Salomão, Davi, Zorobabel, Josafá, Ezequias…

 

Todos eles nos mostram que governar com sabedoria, justiça e temor a Deus é parte do chamado do povo de Deus — e que o cristão não pode ignorar isso.

 

Hoje, vivemos tempos em que muitos cristãos têm uma fé profunda, mas uma visão política rasa. E isso é perigoso. Pois quem não entende a estrutura que o cerca, natural ou espiritual, acaba sendo manipulado pela massa, pela mídia, pela cultura, e por sistemas que querem silenciar a verdade de Deus.

 

É hora de amadurecer. De deixar o raso. De subir o monte.

Este estudo não é apenas sobre política — é sobre inteligência espiritual, maturidade bíblica e consciência de Reino.

No contexto da fé, isso não é diferente. Um cristão que não conhece profundamente as Escrituras torna-se vulnerável a manipulações, ideologias vazias e a uma visão limitada do seu papel no mundo, ou viverá sendo manipulado, ou como um parasita, sem a Bíblia, é fácil de enganar um religioso.

 

“O cristão que não conhece profundamente as Escrituras se torna vulnerável: ou será manipulado, ou viverá como um parasita. Sem a Bíblia, é fácil enganar até o mais religioso.”

— Priscila Fagundes

A pergunta "o cristão pode se envolver com política?" surge dessa falta de conhecimento. Muitos acreditam, sinceramente, que a fé pertence apenas ao domínio privado e espiritual. Contudo, um estudo sério da Bíblia revela exatamente o oposto. As Escrituras estão repletas de homens e mulheres de Deus que atuaram diretamente na esfera pública, em posições de governo, administração e influência política.

Este estudo aprofundará essa verdade, analisando as vidas de líderes bíblicos que demonstram como a fé e a liderança política não apenas podem caminhar juntas, mas devem fazê-lo para promover a justiça, a ordem e o bem comum, sob a soberania de Deus.

 

Modelos Bíblicos de Liderança Político-Espiritual

 

A Bíblia não nos deixa no escuro. Ela nos dá exemplos práticos de como a fé em Deus se traduz em uma governança sábia e eficaz.

 

1. Moisés: O Legislador Divino e Estrategista Político

• Contexto: Criado no palácio do Faraó, Moisés recebeu a mais alta educação política e administrativa de seu tempo. Ele conhecia o funcionamento do império mais poderoso do mundo.

 

• Liderança Espiritual: Como profeta, Moisés foi o canal através do qual Deus libertou Seu povo e entregou a Lei (os Dez Mandamentos e todo o código civil e ritualístico). Sua autoridade vinha diretamente de Deus (Êxodo 3:10).

 

• Liderança Política: Moisés foi o líder de estado de Israel. Ele negociou com o Faraó em termos diplomáticos e de confronto (Êxodo 5), organizou a logística de um êxodo em massa, estabeleceu um sistema de governo com juízes e líderes de clãs, e conduziu uma nação pelo deserto por 40 anos. Ele foi, na prática, o primeiro "primeiro-ministro" de Israel.

 

• Lição: A liderança de Moisés mostra que a lei de Deus não é apenas para o templo, mas para a praça pública. A justiça social e a organização civil são uma expressão da vontade divina.

 

2. Débora: A Juíza-Profetisa em Tempos de Crise

• Contexto: Em uma sociedade patriarcal, durante um período de anarquia e opressão, Deus levanta uma mulher para liderar a nação.

 

• Liderança Espiritual: Débora era uma profetisa, ou seja, falava em nome de Deus. O povo a procurava para ouvir a palavra do Senhor (Juízes 4:4-5).

 

• Liderança Política: Como juíza, ela era a autoridade máxima em Israel. Suas funções incluíam resolver disputas civis e, crucialmente, atuar como comandante-em-chefe das forças armadas. Foi ela quem convocou o general Baraque e traçou a estratégia militar para libertar Israel dos cananeus (Juízes 4:6-7).

 

• Lição: Débora prova que a autoridade espiritual, quando genuína, capacita para uma liderança política corajosa e estratégica. Deus não está limitado por estruturas humanas ou culturais para estabelecer Seus líderes.

 

3. José: O Administrador Fiel em Território Estrangeiro

• Contexto: Vendido como escravo e injustamente aprisionado, José ascendeu ao segundo cargo mais importante do Egito.

 

• Liderança Espiritual: A sabedoria de José não era meramente humana. Era um dom de Deus para interpretar sonhos e administrar com prudência. Sua integridade inabalável, mesmo na prisão, era fruto de seu temor a Deus.

 

• Liderança Política: Como governador do Egito, José implementou uma política econômica de longo prazo que salvou não apenas o Egito, mas todo o mundo conhecido, da fome. Ele foi um gestor público exemplar, responsável pelo planejamento, armazenamento e distribuição de alimentos (Gênesis 41:39-41).

 

• Lição: A fé de um cristão pode florescer e ser uma bênção mesmo em ambientes pagãos e hostis. A competência administrativa é uma virtude espiritual quando usada para o bem-estar coletivo.

 

4. Daniel, Neemias e Ester: Integridade, Gestão e Coragem no Exílio

 

• Daniel: Serviu como alto funcionário em dois impérios (Babilônico e Persa). Sua marca foi a integridade incorruptível. Mesmo sob ameaça de morte, ele não comprometeu sua fé, provando que é possível ser um político de alto escalão sem se corromper (Daniel 6:1-3).

• Neemias: Copeiro do rei da Pérsia, ele usou sua influência política para obter recursos e autorização para um projeto de gestão pública: a reconstrução dos muros de Jerusalém. Ele foi um governador que combinou oração com ação, liderança com planejamento estratégico (Neemias 2:17-18).

 

• Ester: Uma rainha que arriscou sua vida em um ato de coragem política para salvar seu povo do genocídio. Ela usou sua posição e influência para interceder e promover justiça, mostrando que a omissão não é uma opção para quem tem poder (Ester 4:15-16).

 

 O Chamado à Sabedoria Atuante

 

A Bíblia não apenas permite, ela exige que os cristãos se preocupem com a justiça e a ordem da sociedade em que vivem. Conhecer as Escrituras é fundamental. A história está repleta de líderes que exemplificam como a fé pode e deve guiar decisões justas e impactantes.

Ao escolher nossos representantes, nosso critério deve ser bíblico: devemos avaliar se eles demonstram integridade, sabedoria e um compromisso genuíno com o bem comum, rejeitando aqueles cujo discurso e prática revelam um coração inclinado à manipulação, à corrupção e ao poder pelo poder.

Nesse cenário, a importância de um pastor e de uma liderança eclesiástica bem instruída — em teologia, mas também em história, filosofia e nos desafios do mundo contemporâneo — é vital. O pastorado tem a responsabilidade de equipar a congregação com discernimento, ajudando os fiéis a navegar pelas complexas questões morais e éticas de nosso tempo, sem se render a partidarismos cegos.

A Bíblia está recheada de líderes que foram, ao mesmo tempo, figuras religiosas e políticas. Fazer uma exegese básica revela essa verdade inegável. Somente ler a Bíblia não adianta; é preciso entendê-la para aplicá-la.

 

“Sem a Bíblia, é fácil enganar até o mais religioso. O cristão que não conhece profundamente as Escrituras será manipulado — ou viverá como um parasita espiritual.”

— Priscila Fagundes

 

Vivemos dias em que o discurso político se tornou uma arena de manipulação, idolatria ideológica e confusão espiritual. Muitos cristãos caminham nesse campo sem preparo bíblico, sem clareza teológica e, por isso, tornam-se vulneráveis a sistemas de pensamento que contradizem o Reino de Deus.

 

A Bíblia não é neutra quando se trata de governo, liderança e justiça. Ela é monárquica, teocrática, civil, ritualística e profética. Ela fala de reinos, juízos, leis, alianças e tronos. E mais: ela nos mostra que o verdadeiro modelo de governo vem do alto — do trono de Deus — e que toda autoridade humana deveria se submeter à justiça do Céu.

 

Neste estudo, vamos analisar Eclesiastes 10:1–15 à luz da exegese e da hermenêutica cristã, discernindo o que Deus diz sobre o tolo e o sábio no poder, sobre o que significa governar com justiça ou reinar em desordem.

 

Se você é cristão, entenda: se você não formar sua cosmovisão política pela Escritura, o mundo formará por você — e com ideias distantes de Cristo.

 

Prepare-se para confrontar ideias, quebrar paradigmas e alinhar seu entendimento político ao caráter do Reino.

 

Com carinho, respeito e amor, Estudos Bíblicos com Priscila Fagundes, pastora e fundadora da Igreja Evangélica Tetelestai.

 

🎧 Escute o estudo no áudio:

 

https://open.spotify.com/episode/1LEDZjJib1jMH4vQSPYams?si=0v5iIrdJQmykwC3bZPDmIA

 

 Bacharel em Química, Licenciada em química, estudo contínuo em Farmácia Teologia; Pedagoga; Pós em Psicopedagogia e Psicanalista Clínica, neurociência, Terapia de Esquema, e etc.

 

Igreja Evangélica Tetelestai  

Estudos Bíblicos com Priscila Fagundes  

 

Conteúdo registrado:

Cristão e política © 2025

 

Como citar: Norma ABNT 

FAGUNDES, Priscila. Cristão e Política Podem Interagir? Um Chamado Bíblico à Sabedoria e à Ação. Xerém: Igreja Evangélica Tetelestai, 2025. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/1LEDZjJib1jMH4vQSPYams?si=0v5iIrdJQmykwC3bZPDmIA. Acesso em: [data de acesso].

 

 

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